A guerra declarada entre duas alas do STF

Duas alas do Supremo Tribunal Federal (STF) declararam guerra nos bastidores da Corte, segundo a coluna de Vera Magalhães no jornal O Globo. As intrigas entre os magistrados, que antes circulavam só nos bastidores, viraram públicas após a entrevista de Gilmar Mendes ao programa “Roda Viva”.
No programa, o magistrado expôs diferenças entre integrantes da Corte e apontou críticas à atuação de colegas em temas recentes. Gilmar está alinhado a ministros como Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Dias Toffoli e, de forma mais discreta, Cristiano Zanin.
O decano também direcionou críticas ao presidente do STF, Edson Fachin, e à ministra Cármen Lúcia, atribuindo a eles parte do desgaste de imagem enfrentado pela Corte.
O principal alvo foi André Mendonça, que tem assumido a relatoria de processos de grande repercussão política, incluindo o escândalo do Banco Master e a investigação sobre fraudes no INSS. Gilmar afirmou que houve “erros crassos” na condução do primeiro e questionou a atuação do colega durante as negociações relacionadas a uma possível delação premiada.

As declarações repercutiram entre advogados e investigadores que acompanham os desdobramentos do caso. Houve discussões sobre a possibilidade de questionar a permanência de Mendonça na relatoria, mas prevaleceu a avaliação de que não existem elementos suficientes para sustentar um pedido de impedimento ou suspeição do ministro.
Entre profissionais que acompanham as investigações relacionadas a Vorcaro, também existe a percepção de que eventuais acordos de colaboração premiada dificilmente serão concluídos antes das eleições. A avaliação é que tanto a Polícia Federal quanto a Procuradoria-Geral da República (PGR) adotaram uma postura mais cautelosa nas negociações.
Nos bastidores, a leitura predominante é que o adiamento de decisões mais sensíveis evitaria impactos diretos sobre o cenário eleitoral. Como os casos envolvem diferentes atores políticos e interesses relevantes, investigadores e observadores acreditam que os desfechos mais importantes tendem a ficar para depois da disputa nas urnas.
