Banzeiro da Esperança: as vozes da floresta rumo à COP30

Publicado em: 12/12/2025 10:30
Banzeiro da Esperança: as vozes da floresta rumo à COP30
Foto: Reprodução

Antes de a COP30 chegar a Belém, a Amazônia já estava em movimento. Esse movimento tinha nome, rosto e muitos sotaques: Banzeiro da Esperança

O Banzeiro foi uma expedição fluvial que reuniu lideranças indígenas, ribeirinhas, quilombolas, juventudes e organizações da sociedade civil em um barco que desceu o rio rumo ao maior encontro climático do planeta.

 

O Banzeiro era, ao mesmo tempo, o barco que nos levava até a conferência e um grande espaço de convivência, formação política e construção coletiva, onde cada parada e cada conversa ajudavam a redesenhar a forma como a Amazônia se apresenta ao mundo. A ideia era simples e poderosa: se a COP seria na Amazônia, a Amazônia precisava chegar antes com sua própria agenda.

 

Ao longo da viagem, ficou evidente que aquele barco representava algo maior do que um projeto pontual. Ele condensava a força da Amazônia profunda, com suas realidades diversas, mas atravessadas pelos mesmos desafios: mudanças climáticas, desigualdade, ausência de políticas públicas estruturantes e a luta cotidiana para manter a floresta em pé. Estavam ali, lado a lado, povos que raramente se encontram no cotidiano, mas que compartilham o mesmo território e a mesma urgência.

 

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O Banzeiro foi, sobretudo, um exercício de escuta. Rodas de conversa, oficinas, debates espontâneos no convés e nas redes mostraram o quanto a Amazônia pensa sobre si mesma. A bordo, a palavra circulou. Lideranças trouxeram relatos das secas extremas, da dificuldade de acesso a serviços básicos, da pressão sobre territórios e da necessidade de adaptação às mudanças do clima. Ao mesmo tempo, apresentaram soluções, práticas de manejo, experiências comunitárias de conservação e propostas concretas.

 

Foto: Reprodução

 

Desse processo nasceu a Carta da Amazônia, um dos principais legados do Banzeiro. Ela não surgiu de um escritório distante, mas de um acúmulo de escutas, reuniões, encontros e vivências ao longo do ano. É um documento político, mas também um registro de memória: reúne demandas históricas, compromissos defendidos há décadas e caminhos apontados pelas próprias populações tradicionais. Quando a carta foi entregue à presidência da COP30, o gesto tinha um significado claro: a Amazônia não aceita mais ser tratada apenas como tema de pauta, quer ser sujeito nas decisões.

 

 

Na conferência, o Banzeiro ajudou a abrir caminho para esse protagonismo. A presença das lideranças que vieram na expedição ocupou mesas, painéis, marchas e diálogos oficiais e paralelos. A agenda da adaptação às mudanças climáticas, muitas vezes tratada de forma genérica, ganhou rosto e território. Falou-se de secas que esvaziam rios, de comunidades isoladas, de escolas que fecham, de perdas de safra, mas também de iniciativas de bioeconomia, de juventudes comunicadoras, de mulheres liderando cadeias produtivas e de estratégias de proteção territorial construídas de forma comunitária.

 

Fonte: O Eco

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