Documento dos EUA prevê curso relâmpago de português para militares

Publicado em: 22/09/2026 14:19
Militares dos EUA reunidos. Foto: Kim Kyung-Hoon/Reuters

Um documento de contratação do governo dos Estados Unidos chama atenção pelo caráter específico do treinamento: militares norte-americanos e profissionais ligados ao governo receberão aulas intensivas de português brasileiro com foco em situações operacionais, interpretação e tradução.

A pergunta que surge é: por que militares dos EUA precisam, neste momento, de um curso acelerado de português de nível avançado, com duração de apenas três semanas?

O documento não revela a finalidade estratégica do treinamento nem informa qual operação, região ou missão está associada ao programa. A empresa responsável pela seleção, porém, deixa claro que o curso é voltado para um público ligado às áreas militar e de inteligência.

A contratação é feita pela Ascensus Global, Inc. (AGI), antiga MultiLingual Solutions, Inc., uma empresa norte-americana especializada em serviços linguísticos, treinamento cultural e suporte de análise para órgãos do governo dos EUA.

Segundo a própria apresentação institucional, a companhia presta serviços para mais de 40 clientes militares e de inteligência norte-americanos, além de organizações governamentais, empresas e entidades civis. A empresa trabalha com mais de 100 idiomas e possui certificações internacionais de qualidade.

A vaga aberta é para um instrutor de português brasileiro, com experiência em tradução e interpretação português-inglês. O profissional deverá ensinar militares ou agentes governamentais, desenvolver materiais didáticos e integrar atividades de interpretação ao treinamento.

Anúncio de vaga da Ascensus Global para instrutor de português brasileiro. Foto: Reprodução

O curso está previsto para ocorrer entre outubro e novembro de 2026, com duração total de três semanas: uma semana de aulas virtuais e duas semanas presenciais em Montgomery, no estado do Alabama. As despesas de viagem do instrutor serão custeadas pelo programa.

Entre as atividades previstas estão exercícios de simulação, treinamento prático de comunicação, avaliações iniciais e finais dos participantes e preparação de conteúdos alinhados aos objetivos do programa.

A descrição da vaga exige que o candidato tenha experiência anterior ensinando português para militares ou funcionários públicos, além de domínio do inglês e conhecimento em tradução e interpretação.

Apesar de a vaga informar que não será exigida autorização de segurança (“security clearance”), o perfil do treinamento indica um público ligado a áreas sensíveis do governo americano, especialmente pelo foco em comunicação operacional.

O documento, porém, não apresenta informações sobre os alunos, a instituição militar envolvida, o conteúdo específico das aulas ou o motivo pelo qual o português brasileiro foi escolhido para esse treinamento.

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