Entre a riqueza natural e a ansiedade: o paradoxo do Brasil

Publicado em: 31/01/2026 18:01
Entre a riqueza natural e a ansiedade: o paradoxo do Brasil
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O paradoxo brasileiro e as consequências para saúde da quebra desse elo vital entre seres humanos e natureza

Entre 2021 e 2024, vivi uma jornada ininterrupta ao lado do meu marido, Dennis Hyde: juntos percorremos, documentamos e habitamos todos os 75 Parques Nacionais do Brasil na expedição Entre Parques. Antes dessa travessia, que durou três anos e meio, eu trabalhava como psicóloga clínica.

 

Pausar o consultório para viver o Entre Parques foi uma decisão radical, mas não uma ruptura. Levei comigo o olhar analítico que me acompanha em qualquer lugar. Esse olhar, que antes se voltava ao íntimo das pessoas, passou a se abrir também para os territórios, os parques e as comunidades que os habitam.

 

Foi nessa vivência que se tornou impossível ignorar um paradoxo profundo: como podemos ser o país mais biodiverso do planeta e, ao mesmo tempo, estar entre os que apresentam as maiores prevalências de ansiedade no mundo? Segundo a Organização Mundial da Saúde, o Brasil figura entre os países com taxas mais elevadas de transtornos de ansiedade.

 

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Estudos mostram que o contato com a natureza reduz o cortisol, fortalece o sistema imunológico e favorece a saúde mental. Mas, nos últimos dois séculos, estamos nos afastando justamente daquilo que garante nossa saúde. Um estudo recente liderado pelo psicólogo Miles Richardson mostra que a conexão humana com a natureza caiu mais de 60% desde 1800, um declínio cultural profundo que se manifesta tanto na linguagem quanto nos hábitos cotidianos.

 

Brasil: o país com a maior biodiversidade do mundo – Use Orgânico

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Por milhões de anos, vivemos em profunda conexão com os ciclos da terra e do céu. As estações nos ofereciam alimento, os astros inspiravam nossos mitos de origem. Esse compasso está inscrito em nós: nossa saúde psicossomática depende desse vínculo. Mas em poucas décadas nos tornamos majoritariamente urbanos, cercados por luzes artificiais, ruídos constantes e rotinas que já não seguem o nascer nem o pôr do sol. Biologicamente, seguimos os mesmos de centenas de milhares de anos atrás, mas o mundo mudou em velocidade vertiginosa. É nesse desencontro que se instala o adoecimento: enquanto nossa biologia ainda pulsa em sintonia com florestas e rios, nossa vida cotidiana se organiza como se esse elo não existisse.

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