FIMCA, UNINASSAU, Metropolitana e Afya são reprovados no Exame Nacional de Foramação Médica
Porto Velho (RO) – Quatro cursos de Medicina em funcionamento em Rondônia foram enquadrados entre os reprovados no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), cujos resultados foram divulgados nesta segunda-feira, 19 de janeiro de 2026, pelo Ministério da Educação (MEC). As instituições receberam conceitos 1 e 2 — faixas classificadas como insatisfatórias pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) — e, por isso, passaram a integrar a lista de cursos sujeitos a sanções administrativas.
No estado, aparecem com desempenho abaixo do nível mínimo considerado adequado o Centro Universitário Aparício Carvalho (FIMCA), em Porto Velho, que obteve conceito 2; o Afya Centro Universitário de Porto Velho, também com conceito 2; a Faculdade Metropolitana (UNNESA), igualmente localizada na capital, que recebeu conceito 1 — o mais baixo da escala —; e a Faculdade UNINASSAU Vilhena, no Cone Sul do estado, com conceito 2.
O Enamed é uma avaliação anual criada para medir o desempenho acadêmico dos estudantes e a qualidade da formação médica oferecida pelas instituições de ensino superior no país. Nesta primeira edição, aplicada em outubro de 2025, participaram 351 cursos de Medicina. Segundo o balanço oficial divulgado pelo MEC e pelo Inep, aproximadamente 30% das instituições avaliadas apresentaram desempenho considerado ruim.
Notas foram expostas pelo site Metropoles, de Brasília / Reprodução

Do total de cursos reprovados, 24 ficaram com conceito 1 e outros 83 receberam conceito 2, somando 107 cursos abaixo das faixas de aprovação. Um curso apareceu na condição de “sem conceito”, classificação aplicada quando menos de dez estudantes participam da avaliação, o que impede a formação de amostra estatística válida.
Apesar do número total de reprovações, o Ministério da Educação informou que apenas 99 cursos devem efetivamente enfrentar penalidades, uma vez que faculdades mantidas por estados e municípios não estão sob a gerência direta da pasta federal. As medidas previstas variam conforme a nota obtida. Instituições que receberam conceito 2 ficam impedidas de ampliar o número de vagas e têm suspensa a possibilidade de firmar novos contratos por meio de programas federais como o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e o Programa Universidade para Todos (Prouni). Já os cursos com conceito 1 podem sofrer sanções mais severas, incluindo redução do número de vagas a partir do primeiro semestre de 2026 e, em situações extremas, a suspensão do vestibular.
Os resultados do Enamed foram anunciados publicamente pelos ministros da Educação, Camilo Santana, e da Saúde, Alexandre Padilha, e provocaram reação imediata do setor privado de ensino superior. Em nota divulgada no mesmo dia, a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) manifestou “profunda preocupação” com a forma como o exame vem sendo utilizado pelo MEC como instrumento punitivo.
Segundo a entidade, a primeira edição do Enamed ocorreu antes mesmo da divulgação pública de critérios considerados essenciais, como parâmetros de desempenho, cortes de proficiência e as consequências administrativas associadas aos resultados. Para a ABMES, a consolidação dessas regras apenas após a aplicação da prova fere princípios básicos de previsibilidade, transparência e segurança jurídica que devem orientar políticas públicas de avaliação educacional.
A associação também destacou que a imposição de sanções já na edição inaugural do exame rompe com práticas adotadas em sistemas nacionais e internacionais de avaliação, que costumam tratar resultados iniciais como diagnósticos para aprimoramento progressivo. Na avaliação da entidade, a adoção imediata de punições com base em um exame ainda em fase inicial expõe instituições consolidadas, estudantes e o próprio sistema de formação médica a um cenário de instabilidade regulatória, aumento da insegurança jurídica e ampliação da judicialização.
Na nota, a ABMES defendeu que os resultados do Enamed sejam utilizados como um diagnóstico preliminar, voltado ao aperfeiçoamento das próximas edições, e pediu ao MEC a suspensão dos efeitos punitivos previstos. A entidade alertou que a manutenção das sanções pode gerar impactos diretos sobre o setor privado de educação superior e, em última instância, sobre a oferta de médicos no país.
Antes mesmo da divulgação oficial dos dados, uma entidade representativa de universidades particulares chegou a tentar barrar judicialmente a publicação dos resultados, mas a iniciativa não teve êxito. Com a divulgação consolidada, o debate sobre o alcance, a metodologia e as consequências do Enamed passou a ocupar o centro das discussões no setor educacional e entre mantenedores de cursos de Medicina em todo o país. As informações são do site Rondônia Dinâmica.
Texto originalmente publicado em https://www.rondoniadinamica.com/noticias/2026/01/de-rondonia-fimca-uninassau-metropolitana-e-afya-sao-reprovados-no-exame-nacional-de-foramacao-medica,235929.shtml. nk para o artigo original. Respeite os direitos autorais e compartilhe com responsabilidade.
Foto: Divulgação
O Ministério da Educação (MEC) informou que aproximadamente 30% dos cursos de medicina avaliados em 2025 poderão sofrer sanções devido a resultados considerados insatisfatórios no Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica).
A iniciativa integra uma política de supervisão voltada a elevar a qualidade da formação médica no Brasil e frear a expansão de cursos que não atingem padrões mínimos de desempenho. Segundo o ministro da Educação, Camilo Santana, o objetivo não é promover uma perseguição às instituições, mas assegurar qualidade no ensino. “Queremos ampliar o acesso ao ensino superior, mas com qualidade na oferta desses cursos”, afirmou.
Instituído pela Portaria MEC nº 330/2025, o Enamed passou a ser uma versão específica do Enade para os cursos de medicina. A avaliação é anual, obrigatória para estudantes concluintes e composta por 100 questões objetivas, elaboradas com base nas Diretrizes Curriculares Nacionais. Em 2025, a prova foi aplicada em mais de 200 municípios em todo o país.
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Os dados mostram que 75% dos participantes alcançaram desempenho considerado proficiente, mas houve grande variação entre as instituições. Universidades federais e estaduais registraram índices de proficiência acima de 80%, enquanto cursos municipais e privados com fins lucrativos tiveram resultados inferiores.
Ao todo, 351 cursos de medicina participaram do Enamed. Desses, 304 fazem parte do Sistema Federal de Ensino que inclui instituições federais e privadas, único segmento sobre o qual o MEC possui poder direto de supervisão. Nesse grupo, 99 cursos (32,6%) ficaram nas faixas 1 e 2 do Conceito Enade, classificadas como insatisfatórias, por apresentarem menos de 60% dos alunos com desempenho adequado.
Essas instituições serão submetidas a processos administrativos de supervisão, com garantia de ampla defesa, mas já poderão sofrer medidas cautelares proporcionais ao nível de desempenho obtido:
Menos de 30% de proficiência (8 cursos): proibição de aumento de vagas, suspensão do Fies, reavaliação de outros programas federais e suspensão de novos ingressos;
Entre 30% e 40% (13 cursos): redução de 50% das vagas;
Entre 40% e 50% (33 cursos): redução de 25% das vagas;
Entre 50% e 60% (45 cursos): proibição de ampliação de vagas.
As penalidades permanecerão em vigor até a divulgação dos resultados do próximo Enamed, prevista para outubro de 2026.
