Fórum do Mar Patagônico cobra protagonismo regional na implementação do tratado do alto-mar
Coalizão de ONGs do Brasil, Argentina, Uruguai e Chile destaca a entrada em vigor do acordo e defende liderança regional para proteger áreas-chave do alto-mar e a biodiversidade marinha
uma atuação coordenada da América do Sul na implementação do Acordo sobre a Biodiversidade Além da Jurisdição Nacional (BBNJ) — mais conhecido como Tratado do Alto-Mar — que acabou de entrar em vigor após longo processo de negociações internacionais.
O Fórum para a Conservação do Mar Patagônico e Áreas de Influência, grupo que reúne ONGs da região, apresentou nesta sexta-feira (16/01) a primeira análise regional sobre o BBNJ, destacando que o novo acordo oferece um marco para criar mecanismos de proteção marinha que antes não existiam para áreas além das zonas econômicas exclusivas dos países.
O tratado, negociado nas Nações Unidas por mais de duas décadas, chega em um momento histórico para a governança dos oceanos. Ele permite, entre outras medidas, a criação de áreas marinhas protegidas no alto-mar, a avaliação de impactos ambientais e a cooperação internacional em regiões oceanográficas além das 200 milhas náuticas da costa.
Veja também

Rio Amazonas registra alta nos níveis em 2026, mas segue distante de cheias históricas
Na análise publicada pelo Fórum, são destacadas áreas de alta produtividade biológica no Atlântico Sul, como o “Agujero Azul”, diante da costa da Argentina, e a Elevação do Rio Grande, que se estende frente ao Brasil e ao Uruguai, como essenciais para a conservação marinha. Essas regiões enfrentam hoje fortes pressões da sobrepesca e de interesses em mineração em águas profundas.
Os ambientalistas defendem que a região do Mar Patagônico possui potencial ecológico, científico e político para liderar esforços no alto-mar, alinhando ações nacionais com as oportunidades previstas no BBNJ. Para eles, essa fase inicial de definição de regras operacionais, instâncias técnicas e prioridades políticas é crucial para transformar o tratado em ações concretas, e não deixá-lo apenas no papel.




