Medo de sofrer agressão por posição política atinge 59,6% dos brasileiros, aponta pesquisa

Levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que 2,2% da população foi vítima desse tipo de violência no último ano; índice caiu em relação a 2022, mas ainda afeta cerca de 99,4 milhões de pessoas
O levantamento também chama atenção para a influência do crime organizado sobre a liberdade de expressão política em determinadas regiões do país. Foto: art/captada
Relatório mostra que mais da metade da população tem receio de agressões por posicionamento partidário; taxa é maior entre mulheres e população de baixa renda
Seis em cada dez brasileiros com 16 anos ou mais têm medo de sofrer agressão física por causa de suas escolhas políticas ou partidárias. É o que revela o levantamento “Medo do crime e eleições 2026: os gatilhos da insegurança”, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
De acordo com o estudo, 59,6% da população nessa faixa etária declarou esse temor – o que representa aproximadamente 99,4 milhões de pessoas. Além disso, 2,2% dos entrevistados (cerca de 3,6 milhões) relataram ter sido vítimas de violência física motivada por posicionamento político nos últimos 12 meses.
Apesar de ainda elevado, o índice atual representa uma queda em relação a 2022, quando 68%dos brasileiros manifestavam o mesmo receio. O relatório atribui o patamar anterior ao ambiente de forte polarização durante a campanha eleitoral daquele ano. Os dados de 2026 indicam uma redução na percepção de risco, embora o sentimento de insegurança por motivação política ainda permaneça disseminado.
A pesquisa aponta diferenças conforme o perfil dos entrevistados:
- Entre as mulheres, 65,5% afirmam temer agressões motivadas por posições políticas, enquanto entre os homens o índice é de 53,1%.
- Já a vitimização efetiva é maior entre o público masculino: 2,9% relataram ter sofrido agressões, ante 1,5% das mulheres.
O recorte econômico também evidencia desigualdade. Nas classes D e E, 64,2% dos entrevistados manifestam medo de violência política, percentual superior ao registrado entre as classes A e B, de 54,9%.
A ocorrência de agressões também é mais elevada entre os grupos de menor renda: 3,5%disseram ter sido vítimas, contra 2,2% entre os mais ricos.
A presença de facções criminosas ou milícias nos bairros foi reconhecida por 41,2% dos brasileiros entrevistados. Foto: captada
O levantamento também chama atenção para a influência do crime organizado sobre a liberdade de expressão política em determinadas regiões do país. A presença de facções criminosas ou milícias nos bairros foi reconhecida por 41,2% dos entrevistados.
Nessas localidades, 59,5% afirmaram evitar falar sobre política por medo de represálias, enquanto 61,4% disseram que grupos criminosos exercem influência moderada ou forte nas regras de convivência das comunidades.
Segundo o estudo, os índices de violência política nessas áreas também superam a média nacional: 3,3% dos moradores relataram agressões motivadas por questões políticas.
A pesquisa ouviu 2.004 pessoas em 137 municípios brasileiros entre os dias 9 e 10 de março de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
O relatório destaca ainda a influência do crime organizado sobre a expressão política em determinadas regiões. A presença de facções criminosas ou milícias nos bairros foi reconhecida por 41,2% dos brasileiros entrevistados.
- 59,5% dos moradores evitam falar sobre política por receio de represálias desses grupos;
- 61,4% dos residentes afirmam que o crime organizado exerce influência moderada ou forte sobre as decisões e regras de convivência do bairro;
- A vitimização por agressão política nessas áreas (3,3%) é superior à média nacional (2,2%).
