Negócio de sucesso? Edir Macedo lucrou R$ 639 milhões com fundos do Digimais em tempo recorde

Publicado em: 21/05/2026 11:29
Edir Macedo, dono do banco Digimais. Foto: reprodução

O Banco Digimais, instituição financeira de Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e dono da TV Record, registrou valorização de 178% em cotas de fundos de investimentos em participações, os FIPs, recém-criados. A operação foi destacada pela auditoria Clifton Larson Allen Brasil no balanço do segundo semestre de 2025.

Segundo o documento obtido pela Folha, o banco adquiriu R$ 357,6 milhões em cotas desses fundos no segundo semestre do ano passado. Em dezembro, as aplicações já estavam avaliadas em R$ 997,5 milhões. O salto gerou resultado positivo de R$ 639,8 milhões para o Digimais no semestre.

A auditoria, porém, fez ressalvas sobre a operação. Segundo os auditores, “não foi possível avaliar a razoabilidade ou potenciais ajustes decorrentes dos efeitos das avaliações”, porque os fundos ainda não tinham demonstrações financeiras auditadas quando o balanço do banco foi publicado.

De acordo com a Folha, os fundos aplicam recursos em empresas dos setores imobiliário e ESG, sigla em inglês para ambiental, social e governança. Dados da Comissão de Valores Mobiliários mostram que um dos FIPs é o Cajaíba, com patrimônio de R$ 419 milhões e participação na Cajaíba Participações, dona de terras na Praia Grande da Cajaíba, em Paraty, no Rio de Janeiro.

O investimento do Digimais no Cajaíba ocorreu a partir de 29 de agosto de 2025, data em que o fundo anunciou sua primeira emissão de cotas à CVM. FIPs são fundos de renda variável que compram participações em empresas abertas ou fechadas. Uma valorização tão alta em pouco tempo é considerada rara nesse tipo de aplicação.

Praia Grande de Cajaiba, em Paraty (RJ), onde há terras em investimentos do Digimais. Foto: reprodução

Um estudo de Antonio Sanvicente, doutor em finanças pela Universidade de Stanford, analisou 50 FIPs entre dezembro de 2018 e dezembro de 2023 e apontou retorno médio de 23% no período. Menos da metade superou a inflação, e o fundo com maior valorização teve retorno de 380% em cinco anos.

À Folha, o Digimais afirmou que as ressalvas se devem aos prazos diferentes entre o balanço do banco e os balanços dos fundos. “Os Fundos de Investimentos em Participações (FIPs) foram adquiridos no segundo semestre de 2025 e ainda não haviam completado o ciclo para a emissão de auditorias próprias até o fechamento do balanço do banco”, disse.

O banco também declarou que os ativos foram avaliados por empresas independentes. “O Digimais reitera que todos os ativos destes fundos foram mensurados a valor justo por laudos de empresas especializadas e independentes, garantindo a transparência e a consistência das suas demonstrações financeiras”, afirmou.

A auditoria ainda apontou que o Digimais investiu R$ 3 bilhões em fundos sem demonstrações auditadas por falta de documentos, o equivalente a 73% do total aplicado em fundos. Também citou a venda de R$ 741,3 milhões em cotas do FIDC Hermon para a B.A. Empreendimentos e Participações, holding de Macedo que controla o banco. Em abril, o BTG Pactual fechou acordo de intenção de compra do Digimais.

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