O desastre da saúde estadual secretário parece mais adversário do que assessor

Publicado em: 23/12/2025 23:34

Resenha Política, por Robson Oliveira

XERIFÃO – Políticos ouvidos pela coluna desconfiam do ex-delegado que ascendeu demonizando os políticos e renegando o próprio sistema que o acolheu

POLARIZAÇÃO

Não há mais como fingir surpresa. A polarização entre o prefeito de Cacoal, Adailton Fúria (PSD), e o senador Marcos Rogério (PL), na disputa pelo governo de Rondônia, está consolidada. Não por virtude própria apenas, mas sobretudo pela ausência de nomes alternativos com densidade eleitoral, musculatura política e mínima capacidade de romper esse duopólio. Pode surgir um nome novo? Em tese, sim. Na prática, quem acompanha pesquisas internas sérias, não essas de balcão, percebe que o processo eleitoral de 2026 se antecipou. E quem largou cedo não queimou a largada.

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PEDRA

Os retardatários, esses sim, já chegam com cheiro de fumaça. Mantida a polarização, cresce a possibilidade de definição no primeiro turno. A esquerda, mesmo sem chance real de vitória, pode funcionar como obstáculo aritmético, empurrando a disputa para um segundo turno apenas para marcar posição ideológica. É a pedra no caminho dos dois protagonistas. Pequena, mas incômoda.

VIA

O ex-prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves (PSDB), tinha todas as condições objetivas para se apresentar como alternativa viável ao binarismo eleitoral. Perfil gestor, experiência administrativa e recall eleitoral não lhe faltavam. Faltou inteligência política. Ao gastar mais de um ano em ladainhas contra a gestão de Léo Moraes, um dos prefeitos mais bem avaliados do país, Chaves desperdiçou o tempo que deveria ter usado para exibir seus feitos e propor um projeto estadual. Preferiu a intriga ao conteúdo. Perdeu o bonde e, com ele, a chance de ser terceira via.

OBSESSÃO

Ao que tudo indica, acreditou que o eleitor da capital o seguiria como gado em fila indiana. Um erro primário. Porto Velho tem histórico de subverter prognósticos e derrubar favoritos. Hildon se preocupou mais em torcer contra o sucesso do sucessor do que em construir o próprio futuro político. Resultado previsível. Léo governa bem, comunica melhor ainda e colhe empatia. A obsessão de um pelo outro ultrapassou o razoável e entrou no campo do patológico.

LIMITAÇÃO

O prefeito de Vilhena, Flori Junior, apesar de bem avaliado no seu reduto, tenta se projetar no cenário estadual de forma amadora e politicamente desastrada. Trata-se de uma liderança localizada, de alcance limitado, com arroubos típicos do corporativismo policial de onde se originou. Ainda não apresentou densidade política nem visão estadual capazes de ameaçar a polarização entre Marcos Rogério e Adailton Fúria.

XERIFÃO

Políticos ouvidos pela coluna desconfiam do ex-delegado que ascendeu demonizando os políticos e renegando o próprio sistema que o acolheu. A contradição não passa despercebida. Política não é território de justiceiro solitário. Dois dirigentes partidários, ouvidos em off, foram além da cautela e demonstraram franca repulsa ao jovem mancebo. A política é para políticos. Xerifões costumam terminar isolados.

LOROTA

Mesmo com a simpatia de Léo Moraes, é delírio imaginar que o eleitor da capital seguiria cegamente uma eventual orientação para votar em Flori Junior. Léo é bem avaliado, não é dono da consciência alheia. Transferência de votos existe, mas em escala muito menor do que se fantasia. Flori dialoga com o eleitor de Vilhena, não com a diversidade social e política da capital. Nem Léo conseguiu vencer para governador em Porto Velho. Governo é outro papo. O resto é lorota.

INIMIGO

Causou perplexidade a declaração do secretário estadual de Saúde, coronel Jeferson, ao afirmar que a pasta, mesmo dispondo de cerca de 1,5 bilhão em repasses constitucionais e mais 600 milhões em suplementação, é deficitária e precisa de outros 300 milhões para evitar o colapso. Vinda da oposição, a fala seria crítica comum. Proferida por auxiliar direto do governador Marcos Rocha, soa como atestado de calamidade administrativa. Explica, com constrangimento, o desastre da saúde estadual. O secretário parece mais adversário do que assessor.

INCOMPETÊNCIA

Auxiliares do próprio governador já alertaram para a necessidade de mudança no comando da Saúde. O tempo passou, o secretário permaneceu e, às vésperas do último ano de governo e do período de desincompatibilização eleitoral, expôs o governo, o chefe e toda a equipe da Sesau. A gestão é responsabilidade dele, mas o anúncio público de possível crise fiscal escancara descontrole e imprudência.

EXAGERO

A coluna ouviu longamente o secretário estadual de Finanças sobre o alarde fiscal. Os gastos correntes cresceram acima da arrecadação, especialmente pelos gastos com a área de Saúde dos municípios de Vilhena e Guajará-Mirim, não previstos originalmente no orçamento. O desequilíbrio gerou alerta do Tribunal de Contas. Ainda assim, é exagero afirmar que Rondônia caminha para uma crise fiscal calamitosa. Segundo Luís Fernando, o cenário é de ajuste e aperto, não de colapso.

ADESÃO

Contingenciamentos devem ser adotados até o fim do mês. A Sefin avalia adesão ao programa nacional de refinanciamento orçamentário já utilizado por outros estados. Rondônia deixará de ostentar finanças exuberantes, mas evitará o caos. Pagamentos a fornecedores podem ser empurrados para o próximo exercício, o que preocupa o setor produtivo. Salários e áreas estratégicas, ao menos por ora, não devem sofrer cortes. Já investimentos, quem esperava grana, ficará sem nada.

DESISTÊNCIA

A sinalização de Marcos Rocha de que permanecerá no governo e desistirá da candidatura ao Senado surpreendeu muitos, menos esta coluna. Há três meses a avaliação já apontava esse desfecho. A leitura apressada atribuiu a decisão a suposto medo da crise fiscal e desgaste político. Papo furado. Pesquisas sérias indicam que a avaliação negativa do governador é menor do que o senso comum barulhento costuma propagar.

TRAIÇÃO
Campanha ao Senado não seria simples para ninguém. E poderia se tornar um inferno caso o governador deixasse o cargo para enfrentar fogo amigo de um sucessor ressentido. Traição tem apelo dramático, mas costuma custar caro. Seduz no início, destrói no final.

RISCOS
Ao decidir não renunciar, Marcos Rocha fez a escolha mais dolorosa e, ao mesmo tempo, mais responsável. Avaliou os riscos, mesmo comprometendo o próprio futuro político e de familiares. Faz parte do jogo. Nem sempre sai como esperamos.

PRUDÊNCIA

Bastaria uma conta reprovada para inviabilizar o futuro político e criar uma crise eleitoral sem precedentes. Terminaria abandonado por quem até ontem o bajulava.  Ao medir riscos, optou pela prudência. As críticas partem, como sempre, de quem passou anos pendurado nos benefícios do poder e agora foi desalojado. Nada de novo no front.

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