O preço invisível do tráfico: quem paga a conta das serpentes exóticas no Brasil?
A cada serpente exótica que chega ao Butantan, o contribuinte brasileiro paga uma conta que deveria ser cobrada de traficantes internacionais e domésticos
Em dezembro de 2025, o Center for Biological Diversity publicou o relatório Exotic Exploitation, revelando que entre 2016 e 2024 os Estados Unidos importaram a incrível quantia de mais de 248 milhões de animais vivos, com uma média de 90 milhões por ano.
Répteis representam 5,3 milhões desse total, com cerca de 40% capturados diretamente da natureza. O Brasil figura como o décimo maior fornecedor destes animais, com 3,89 milhões de espécimes exportados no período, saindo da natureza para serem vendidos no mercado estadunidense.
Mas o Brasil não é apenas origem, é também destino. E quando serpentes peçonhentas exóticas chegam aqui, por tráfico, abandono, fuga ou apreensão, alguém precisa cuidar delas. Na maioria das vezes, são instituições públicas como o Instituto Butantan, que arcam com custos invisíveis para o contribuinte brasileiro.
Veja também

Acidente paralisa perfuração na Foz do Amazonas
O comércio online de répteis e anfíbios não é novidade no Brasil. Em agosto de 2011, a Operação Arapongas, envolvendo policiais federais e fiscais do IBAMA em sete estados, já desarticulava uma quadrilha que vendia “todo e qualquer tipo de animal” através de um site. Répteis, anfíbios, mamíferos e aves, obtidos de criadouros irregulares ou capturados na natureza, atendiam a encomendas inclusive para o exterior.

Foto: Reprodução
Enfrentar o problema não é simples, e com o passar do tempo, a escala só se ampliou: em março de 2021, depois de uma investigação que durou 4 anos, a Operação Teia identificou 1.277 animais expostos à venda na internet, resultando em 137 animais resgatados e R$ 518,6 mil em multas aplicadas em 15 estados. Em setembro de 2025, a Operação São Francisco, maior ação contra o tráfico de animais já realizada no Brasil, revelou as ligações entre o comércio ilegal de fauna e facções criminosas, trazendo à tona uma rede cada vez mais sofisticada, baseada principalmente em redes sociais.
Entre 2020 e julho de 2025, os 25 Centros de Triagem/Reabilitação de Animais Silvestres (CETAS/CETRAS) do país receberam cerca de 330 mil animais, sendo 72% aves, 15% répteis e 12% mamíferos. Mas os CETAS, estruturados para fauna nativa, não estão preparados para manejar serpentes peçonhentas exóticas, que exigem instalações especializadas, protocolos de segurança rigorosos e, principalmente, acesso a soros antiofídicos específicos.
Fonte: O Eco




