OGOS DA JUVENTUDE: Seduc é contestada sobre atletas fora e nova denúncia surge no caso

Publicado em: 22/10/2026 11:23

Após divulgar nota e prestar esclarecimentos, Secretaria tem explicações questionadas por atletas e familiares; Rondônia ao Vivo apura uma quinta situação

Seduc tenta explicar casos de atletas fora dos Jogos da Juventude, mas versões são contestadas; nova denúncia surge em Guahjará-Mirim

Após divulgar nota e prestar esclarecimentos, Secretaria tem explicações questionadas por atletas e familiares; Rondônia ao Vivo apura uma quinta situação

A exclusão de atletas de Rondônia dos Jogos da Juventude CAIXA 2026 continua gerando questionamentos sobre os procedimentos de inscrição e a comunicação entre os responsáveis pelas delegações e os competidores. A Secretaria de Estado da Educação (Seduc) apresentou esclarecimentos sobre os casos, mas as explicações são contestadas por atletas, familiares e representantes. Até o momento, foram relatadas situações envolvendo Vilhena, Cerejeiras, Porto Velho e Guajará-Mirim.

 

Em nota, a Seduc afirmou que, no caso do atletismo, não houve falha no processo de inscrição e que o impedimento ocorreu em razão dos critérios técnicos e das regras estabelecidos pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB). Sobre a natação, a Secretaria declarou que uma lista preliminar é encaminhada aos técnicos responsáveis para conferência dos dados, mas que não recebeu comunicação formal sobre divergências na inscrição da atleta de Porto Velho.

A Seduc também informou que a conferência das informações deve envolver os técnicos responsáveis e os responsáveis legais dos estudantes. Segundo a pasta, o Estado oferece suporte logístico e operacional à delegação, mas as inscrições e a participação dependem do cumprimento dos critérios e prazos definidos pelas entidades organizadoras.

A Secretaria acrescentou que o resultado nos Jogos Escolares de Rondônia (JOER) não garante classificação automática para a etapa nacional. Conforme a explicação, o COB avalia os índices técnicos exigidos para cada modalidade e pode cancelar inscrições quando os critérios não são atendidos. A Seduc informou ainda que mantém um fluxo de comunicação com as superintendências regionais, professores e atletas.

A seguir, a íntegra da nota oficial:

NOTA DE ESCLARECIMENTO

A Secretaria de Estado da Educação (Seduc) esclarece informações sobre a participação de atletas das modalidades de atletismo e natação nos Jogos da Juventude CAIXA 2026.

Em relação à atleta de atletismo, conforme informações da Coordenação dos Jogos Escolares de Rondônia (JOER), não houve falha no processo de inscrição. O impedimento decorreu dos critérios técnicos e das regras estabelecidos pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB). Nas modalidades de atletismo e natação, a conquista do título nos Jogos Escolares de Rondônia não garante classificação automática para as etapas nacionais. É necessário atingir o índice técnico exigido e validado pelo COB, conforme os critérios específicos de cada modalidade.

Quanto à atleta de natação, o processo de inscrição prevê o envio de uma lista preliminar aos técnicos responsáveis para conferência dos dados e identificação de possíveis inconsistências. Até as etapas de verificação, a Seduc não recebeu comunicação formal sobre divergências nos dados da atleta.

A Secretaria ressalta que a conferência das informações cadastrais e técnicas deve envolver os técnicos responsáveis e os responsáveis legais dos estudantes, para garantir a exatidão dos dados informados.

A Seduc oferece suporte à participação da delegação estadual, incluindo os custos logísticos e operacionais sob responsabilidade do Estado. As inscrições e a participação dos atletas, entretanto, dependem do cumprimento das regras, dos critérios técnicos e dos prazos estabelecidos pelas entidades organizadoras, que não podem ser alterados unilateralmente pela Secretaria.

Júlia Freitas Vieira contesta explicação sobre inscrição

Em Vilhena, a atleta Júlia Freitas Vieira, vinculada à FAVOO/COOPEVI, ficou fora da competição nacional após uma divergência envolvendo as provas em que foi inscrita. Ela havia se classificado para os 100 e 200 metros, provas que, segundo a contestação apresentada por seu representante, não exigiam o índice técnico mencionado para justificar o impedimento.

De acordo com a versão apresentada em defesa da atleta, ela teria sido cadastrada equivocadamente na prova dos 400 metros, que possui exigência de índice. Com isso, a inscrição teria ficado sujeita a um critério que não correspondia às provas para as quais havia conquistado classificação.

Em 16 de outubro de 2026, Clênio Marcelo Pereira Araújo encaminhou um pedido de regularização. O representante do COB, Jesse Soares Oliveira, afirmou que as regras haviam sido divulgadas desde março e que foram oferecidas oportunidades extraordinárias para correção de inscrições. No entanto, segundo ele, o prazo para ajustes e a elaboração das listas oficiais já haviam sido encerrados.

A contestação questiona por que a divergência na prova não foi identificada e corrigida antes do fechamento das inscrições.

Thaila Nayara também questiona exclusão da delegação

Em Cerejeiras, a atleta Thaila Nayara relatou ter sido excluída da delegação que participaria dos Jogos da Juventude após uma preparação voltada para a competição. Ela conquistou o segundo lugar nos 3.000 metros e afirma que havia recebido a informação de que estava entre as classificadas.

Segundo o relato, Thaila passou por procedimentos relacionados à participação, incluindo exames e entrega de documentação, além de ter recebido uniforme. Ela também disse que chegou a ser anunciada na escola como integrante da delegação, o que aumentou a expectativa de viajar para a disputa nacional.

A atleta afirmou que depois foi informada de que não participaria, sob a justificativa de que outra competidora teria índice superior. Thaila questiona a falta de informações claras sobre o critério utilizado e sobre a identificação da atleta que teria obtido resultado melhor.

O caso se soma ao de Vilhena e levanta dúvidas sobre a comunicação dos critérios de seleção e a confirmação das inscrições antes da viagem dos competidores.

Treinador de Isadora Nobre contesta explicação da Seduc

Em Porto Velho, Carlos Eduardo Cardoso dos Santos, treinador da nadadora Isadora Nobre, contestou a explicação da Seduc de que a lista preliminar de inscrições teria sido encaminhada aos técnicos responsáveis para conferência dos dados.

O treinador questiona a quem a Secretaria se refere ao mencionar os “técnicos responsáveis”. Segundo ele, é necessário diferenciar os treinadores particulares dos profissionais oficialmente designados pela Seduc para acompanhar a delegação estadual.

Carlos Eduardo afirma que, se cabia ao técnico indicado oficialmente pela Secretaria conferir a lista e apontar inconsistências, é preciso esclarecer por que a ficha de Isadora não foi encaminhada para verificação ou por que a atleta não teve sua inscrição concluída. Na avaliação dele, caso a ausência de inscrição tenha ocorrido por falta de conferência, a responsabilidade pelo procedimento precisa ser apurada.

Isadora é tricampeã estadual dos Jogos Escolares de Rondônia, com títulos nos 50 metros livre, 50 metros costas e 100 metros costas. A atleta mantinha uma rotina de treinamento de aproximadamente 18 horas por semana.

A versão do treinador diverge da explicação oficial sobre a conferência dos dados e reforça a necessidade de esclarecer quais profissionais receberam as listas preliminares e quais procedimentos foram adotados para verificar as inscrições.

Atleta de Guajará-Mirim afirma que atingiu índices exigidos

Outro caso que surgiu após a manifestação da SEDUC é o de Katharina Emília Bragado de Lima Pontes, de 15 anos, atleta do lançamento de disco de Guajará-Mirim. Ela afirma que conquistou o título estadual e atingiu os índices técnicos exigidos para a modalidade, mas acabou informada de que não participaria dos Jogos da Juventude.

Segundo o relato da atleta e de sua família, ela alcançou inicialmente a marca de 27 metros e, posteriormente, o índice de referência teria sido revisto para 22 metros. Katharina afirma que seu nome apareceu na lista de convocação e que entregou a documentação antes de outros atletas.

O pai da adolescente relata que, posteriormente, recebeu a informação de que a inscrição não havia sido concluída, sob a justificativa de que o procedimento teria sido considerado fora do prazo pelo COB. A atleta afirma que o professor Aloísio foi quem comunicou que ela não viajaria para a competição.

A família diz que possui mensagens e documentos que podem ajudar a esclarecer a sequência dos acontecimentos. Katharina tem três títulos estaduais e dois brasileiros na categoria infantil. No primeiro ano da categoria juvenil, também conquistou o título estadual, mas não participou da competição nacional.

O caso amplia a lista de atletas e famílias que questionam os procedimentos adotados para a formação da delegação de Rondônia.

Rondônia ao Vivo apura quinta situação

Além dos casos de Vilhena, Cerejeiras, Porto Velho e Guajará-Mirim, o Rondônia ao Vivo apura uma quinta situação semelhante envolvendo a participação de uma atleta nos Jogos da Juventude CAIXA 2026. Os detalhes ainda estão sendo verificados pela reportagem.

As situações relatadas envolvem circunstâncias distintas, e a apuração busca esclarecer os procedimentos adotados em cada caso, incluindo as inscrições, a conferência dos dados e a comunicação das decisões aos atletas e responsáveis.

Compartilhar

Faça um comentário