PASSA POR AQUI: BR-364 faz parte das principais rotas de saída das drogas no Brasil
Brasil bate recorde de apreensões de drogas e se consolida como corredor internacional do tráfico de cocaína
O Brasil registrou em 2025 o maior volume de apreensões de drogas dos últimos dez anos. Segundo dados da Receita Federal, foram retiradas de circulação cerca de 80 toneladas de entorpecentes em operações realizadas no país, sendo aproximadamente 18 toneladas de cocaína. O crescimento reforça o papel do território brasileiro como uma das principais rotas internacionais de passagem da droga produzida na América do Sul com destino a mercados da Europa, Ásia e África.
Em 2024, as apreensões chegaram perto de 70 toneladas, com quase 14 toneladas de cocaína recolhidas. Nos anos anteriores, 2023 e 2022, a média ficou em torno de 35 toneladas de drogas apreendidas, menos da metade do volume registrado em 2025.
A dimensão territorial do Brasil, com mais de 17 mil quilômetros de fronteiras terrestres e ligação com países produtores de cocaína, como Bolívia, Peru e Colômbia, transforma o país em um ponto estratégico para organizações criminosas que utilizam diferentes modais de transporte: rodoviário, aéreo, fluvial e marítimo.
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Rodovias são principais corredores terrestres
As rodovias federais estão entre os caminhos mais utilizados pelo tráfico para abastecer grandes centros urbanos e levar drogas até portos e aeroportos usados na exportação.
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Segundo o subsecretário de Integração da Segurança Pública de Minas Gerais, Christian Vianna de Azevedo, as principais rotas terrestres passam por estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná.
Entre os corredores citados está a BR-364, que liga áreas da Região Norte, passando por Rondônia e Mato Grosso, em direção ao Sudeste. Também aparecem a BR-262, que conecta Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Espírito Santo; a BR-277, entre Foz do Iguaçu e o Porto de Paranaguá; e a BR-267, que atravessa Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais.
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“A BR-364 sai lá do Acre, Rondônia, passa pelo Mato Grosso e vai para o Sudeste. A BR-262 vem do Mato Grosso do Sul, passa por Minas Gerais e chega ao Espírito Santo, conectando com a BR-116, que também é usada para transporte de cocaína”, explicou Azevedo.
Outra rota considerada estratégica é a BR-174, que liga Rondônia e Mato Grosso ao chamado Arco Norte, complexo portuário formado por estados como Rondônia, Pará, Amazonas, Amapá e Maranhão.
Além disso, a chamada “rota caipira”, formada pela malha rodoviária do interior paulista, é apontada como um dos principais caminhos utilizados pelo tráfico. Por esse corredor circulam cerca de 70% das drogas apreendidas no Brasil, segundo o especialista.
A droga geralmente entra pelas fronteiras do Centro-Oeste e Sul, atravessa o interior de São Paulo e segue para portos, aeroportos e grandes centros consumidores.
Fronteiras com países produtores concentram apreensões
Os estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná estão entre os que registram os maiores volumes de apreensão.
A proximidade com Bolívia, Peru e Colômbia facilita a entrada da cocaína no território brasileiro. Enquanto parte da droga abastece o mercado interno, outra parcela segue para exportação.
“O Brasil é o principal corredor de exportação de cocaína do mundo. Ela sai de portos desde o Rio Grande do Sul até o estado do Pará”, afirmou Christian Vianna.
Aviões clandestinos e rotas pela Amazônia
O transporte aéreo também é utilizado pelas organizações criminosas, principalmente por meio de aeronaves pequenas e pistas clandestinas.
Como grande parte da cocaína entra no país pela Bolívia e pelo Paraguai, aviões monomotores são usados para levar cargas até áreas do interior de São Paulo, Triângulo Mineiro, Goiás e Tocantins.
Na Amazônia, a extensa rede de rios e a proximidade com países produtores também favorecem o deslocamento da droga.
Até o início dos anos 2000, o controle do espaço aéreo amazônico era mais limitado. A partir de 2002, a implantação do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) e do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta IV) ampliou a fiscalização e reduziu voos ilegais.
Com a maior dificuldade nas rotas aéreas, organizações criminosas passaram a migrar parte das operações para os rios.
Hidrovias ganham importância para o tráfico
Os rios amazônicos e as bacias hidrográficas do Centro-Sul passaram a ser utilizados como alternativas para o transporte de drogas.
Na região Norte, a chamada Rota do Solimões é considerada um dos principais caminhos. Já no Sul e Sudeste, o Rio Paraná e a hidrovia Paraná-Paraguai formam corredores importantes.
Segundo Azevedo, a ausência de uma extensa malha rodoviária no Amazonas torna os rios fundamentais para a circulação de cargas ilegais.
“No estado do Amazonas, você quase não tem estradas, então os rios são muito utilizados. A principal é a Rota do Solimões”, explicou.
Portos brasileiros são usados na exportação internacional
Na etapa de saída do país, o Porto de Santos, em São Paulo, historicamente aparece como um dos principais pontos de apreensão, concentrando cerca de 40% da cocaína interceptada pela Receita Federal.
Também estão entre os principais pontos de atenção o Porto de Paranaguá, no Paraná, e terminais de Santa Catarina, como Imbituba.
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O aumento da fiscalização, com participação da Polícia Federal, Receita Federal, órgãos aduaneiros e autoridades portuárias, reduziu a utilização de alguns portos tradicionais e fez o crime organizado buscar novas alternativas.
“Eles estão se deslocando para outros portos e principalmente para outros modais marítimos, como veleiros e barcos de pesca”, afirmou o subsecretário.
Da América do Sul para Europa, Ásia e Oceania
Após sair do Brasil, a cocaína tem como principais destinos mercados internacionais. A Europa funciona como uma das principais portas de entrada, de onde parte da droga segue para regiões como Oriente Médio, Ásia Central, Península Arábica e Oceania, onde o valor comercial é mais elevado.
Outra rota que ganhou relevância é o Corredor Bioceânico, ligação logística entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, conectando o Oceano Atlântico ao Pacífico.
Segundo Christian Vianna, a saída pelo litoral chileno amplia as possibilidades de acesso a mercados da Ásia e do Pacífico.
“Antigamente o tráfico era só pelo Oceano Atlântico; com essas facilidades, o Oceano Pacífico também virou uma alternativa”, afirmou.
O avanço das apreensões mostra uma mudança constante na estratégia das organizações criminosas, que adaptam rotas e métodos conforme aumentam as ações de fiscalização e inteligência no combate ao tráfico internacional de drogas.
* Com informações do Último Segundo.
** Mapas de rotas gerados por IA com base nas informações.
