Pedágio mais caro do Brasil começa na BR-364 sem obras e quem paga a conta é o povo de Rondônia
Com apoio político de Confúcio Moura, cobrança tem início em rodovia esburacada, mal sinalizada e tomada pelo mato
A cobrança de pedágio na BR-364, prevista para iniciar no próximo dia 12, já nasce cercada de polêmica e indignação popular. Trata-se do pedágio mais caro entre as rodovias federais concedidas no Brasil, imposto aos rondonienses sem que a estrada esteja devidamente estruturada, sinalizada ou em condições mínimas compatíveis com o valor cobrado.
A concessão à empresa Nova 364, responsável pela administração da rodovia federal, inicia a arrecadação antes mesmo de resolver problemas básicos, como trechos com buracos, sinalização precária e mato invadindo a pista, colocando em risco a segurança de quem trafega diariamente pela principal artéria logística do Estado.
O que agrava ainda mais o cenário é o apoio político declarado ao modelo de concessão, incluindo o respaldo do senador da República Confúcio Moura, aliado do presidente Lula. O silêncio ou a conivência diante de uma cobrança considerada abusiva por grande parte da população reforça a percepção de que o peso do pedágio está sendo transferido diretamente para as costas do povo, enquanto os benefícios prometidos seguem apenas no discurso.
Na prática, a conta não para na cancela do pedágio. É regra conhecida do mercado: o valor pago pelas empresas será repassado ao consumidor final. Isso significa alimentos mais caros, frete mais caro, insumos mais caros e, consequentemente, custo de vida mais alto para quem já enfrenta dificuldades econômicas.
Rondônia depende da BR-364 para escoar sua produção, garantir abastecimento e manter sua economia funcionando. Cobrar um pedágio elevado sem entregar infraestrutura adequada é inverter a lógica da concessão e transformar o que deveria ser melhoria em ônus social e econômico.
A população rondoniense não é contra investimentos nem contra melhorias. O que se questiona é pagar caro por uma rodovia que continua abandonada em vários trechos. O pedágio deveria ser consequência de obras concluídas e segurança garantida — não um cheque em branco bancado pelo cidadão.
Diante disso, cresce a cobrança por posicionamento firme das lideranças políticas do Estado, especialmente daqueles que apoiaram a concessão. Rondônia não pode aceitar calada que o pedágio mais caro do Brasil comece a ser cobrado sem contrapartida real, penalizando quem produz, quem trabalha e quem consome.
Fonte: Alexandre Araujo/www.ouropretoonline.com
