O Brasil e os Estados Unidos viveram, em datas próximas, crises profundas de democracia. Em 8 de janeiro de 2023, Brasília foi palco de um ataque orquestrado às sedes dos Três Poderes — não um ato espontâneo, mas a consequência direta de quatro anos de discurso antidemocrático, manipulação de símbolos nacionais e incitação à violência por parte do então presidente Jair Bolsonaro. Da mesma forma, em 6 de janeiro de 2021, o Capitólio foi invadido por seguidores de Donald Trump, que os conduziu pessoalmente até ali, negando a legitimidade das urnas e clamando pela “retomada” do poder.
Hoje, em janeiro de 2026, os caminhos dessas duas nações divergem de maneira alarmante. No Brasil, o ex-presidente que incitou a insurreição cumpre pena em regime fechado, após condenação no devido processo legal. Generais, comandantes das Forças Armadas, civis de seu círculo íntimo e centenas de participantes do 8 de janeiro também foram punidos. A Justiça, com firmeza histórica, respondeu ao desafio: sob o comando simbólico da então presidente do STF, Rosa Weber, e com Alexandre de Moraes como relator, o Judiciário não apenas investigou, mas transformou a reconstrução do Supremo em um ato chamado “Democracia inabalável”.
Já nos Estados Unidos, o cenário é desolador. Trump, longe de ser responsabilizado, está de volta à Casa Branca. Impune, imune e com poder renovado, promove anistias, reescreve a história e ameaça invadir países sob a lógica do “porque posso”. As instituições americanas, um dia modelo de equilíbrio, sucumbiram à polarização e à impunidade.
A lição é clara: democracias não caem de repente. São desmontadas com ataques à Justiça Eleitoral, à confiança nas urnas e à independência dos poderes — como fizeram Bolsonaro e Trump. O Brasil, ainda que com fragilidades políticas persistentes, escolheu punir, não perdoar. Escolheu memória, não amnésia. E foi nessa escolha que encontrou um fio de resistência.
Esquecer o 8 de janeiro é convidar o caos de volta. O inimigo da democracia não desaparece — ele espera. E só sobrevive onde a sociedade deixa de lembrar.
Via Media Press