VEREADOR DO PT PRESO SENIVAL MOURA DECLAROU PATRIMÔNIO DE R$ 4,00 EM MEIO A INVESTIGAÇÃO SOBRE MOVIMENTAÇÕES MILIONÁRIAS

Publicado em: 26/06/2026 11:12

Documento apresentado para obter justiça gratuita contrasta com apurações sobre suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo empresa de transporte investigada por ligação com o PCC

O vereador Senival Moura (PT-SP), preso durante a Operação Última Parada, chamou atenção ao apresentar à Justiça uma declaração de hipossuficiência financeira na qual afirma possuir patrimônio de apenas R$ 4,00 e viver em situação de extrema pobreza. O documento foi utilizado para solicitar os benefícios da justiça gratuita, alegando incapacidade de arcar com as despesas processuais sem comprometer a própria subsistência. A informação rapidamente ganhou repercussão por destoar das investigações conduzidas pelas autoridades.
A declaração causou surpresa porque a Polícia Civil e o Ministério Público sustentam que Senival Moura é um dos principais investigados em um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo a empresa de ônibus Transunião Transportes. Segundo os investigadores, o grupo criminoso teria utilizado contratos e movimentações financeiras para ocultar recursos ligados ao PCC, organização criminosa que atua dentro e fora dos presídios paulistas.
As apurações apontam que a empresa movimentou valores expressivos ao longo dos últimos anos, o que aumenta os questionamentos sobre a compatibilidade entre a declaração de patrimônio apresentada pelo vereador e os elementos reunidos pelos investigadores. Embora a defesa sustente que a declaração atende aos requisitos legais para a concessão da justiça gratuita, o contraste entre as informações tem sido amplamente debatido.
A Operação Última Parada foi deflagrada com o objetivo de desarticular um complexo esquema de lavagem de dinheiro que teria utilizado empresas do setor de transporte coletivo para dar aparência de legalidade a recursos provenientes do crime organizado. Além da prisão temporária de Senival Moura, foram cumpridos mandados de busca e apreensão contra outros investigados, além da coleta de documentos e equipamentos eletrônicos que agora passam por perícia.
Os investigadores também apuram possíveis desvios de recursos, contratos suspeitos e a atuação de pessoas ligadas à administração das empresas de ônibus envolvidas. A força-tarefa pretende identificar o destino dos valores movimentados, os beneficiários finais das operações e a eventual participação de outros agentes públicos ou privados no esquema investigado.
O caso ganhou forte repercussão política por envolver um vereador em exercício e por levantar dúvidas sobre a origem dos recursos relacionados às empresas investigadas. Parlamentares da oposição passaram a cobrar esclarecimentos, enquanto aliados defendem que as conclusões sejam tomadas apenas após o encerramento das investigações e garantido o direito à ampla defesa e ao contraditório.
As investigações continuam em andamento e tanto a Polícia Civil quanto o Ministério Público afirmam que novas diligências poderão ser realizadas conforme a análise do material apreendido. Até o momento, não há condenação definitiva contra os investigados, e o processo segue em fase de apuração, cabendo à Justiça avaliar as provas produzidas ao longo da instrução criminal.
Foto: Divulgação

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